História do Brasil

Em Alcântara, a cidade-monumento de 1948 divide o município com a base de foguetes projetada a partir de 1983

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026

Alcântara, no Maranhão, foi elevada a vila em 1648 e a cidade em 1836. Seu auge, ligado aos engenhos e ao algodão, foi entre o fim do século XVIII e a primeira década do XIX; depois veio a decadência. Em 1980, só 1.639 dos mais de 18 mil moradores do município viviam no centro urbano. Tombada pelo Iphan em 1948, tem hoje cerca de 400 imóveis protegidos e, desde o projeto iniciado em 1983, uma base de lançamento de foguetes.

Alcântara foi o centro da aristocracia rural agroexportadora do Maranhão e, segundo o Arquivo Nacional, mantinha relações mais estreitas com Lisboa do que outras cidades coloniais. O Iphan cita igrejas antigas, um forte do século XVIII e palacetes em ruínas, que mostram a influência de Coimbra, onde estudavam os filhos das famílias ricas. Com a decadência da segunda metade do século XIX, a cidade ficou isolada, e foi esse isolamento, segundo o Iphan, que preservou o conjunto. Nos anos 1920, um debate opôs higienistas, favoráveis à demolição das ruínas, a intelectuais que defendiam guardar a memória do centro aristocrático; os últimos venceram. O tombamento de 1948 cobriu todo o município, e só nos anos 1990 estudos delimitaram a área protegida.

Por que foguetes em Alcântara

O Centro de Lançamento de Alcântara surgiu em função do crescimento urbano ao redor da base da Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte. A posição, perto da linha do Equador, é considerada pelo Arquivo Nacional uma das mais privilegiadas do mundo para lançar foguetes. O projeto foi iniciado em 1983.

A vila do algodão e do açúcar

O Arquivo Nacional informa que Alcântara foi elevada a vila em 1648, numa região de engenhos de açúcar, e a cidade em 1836. O auge veio entre o último quartel do século XVIII e a primeira década do XIX, quando a cidade se tornou centro da aristocracia rural agroexportadora. O Iphan acrescenta o sal e as lavouras de arroz e algodão. A estrutura urbana se ordenou em torno de construções religiosas, dois conventos e a igreja matriz. Os filhos das famílias ricas estudavam em Coimbra.

A decadência e o debate dos anos 1920

Na segunda metade do século XIX a decadência do comércio dos produtos agrícolas isolou a cidade. No início do século XX ela estava semiabandonada e arruinada. Nos anos 1920, higienistas defenderam demolir as ruínas, e intelectuais citaram os restos de antigas civilizações europeias para manter a memória do centro aristocrático; esses últimos venceram. As reformas feitas depois, segundo o Arquivo Nacional, não detiveram a deterioração: em 1980, apenas 1.639 dos mais de 18 mil moradores do município viviam no centro urbano.

O tombamento e seus limites

O Iphan tombou o conjunto em 1948, quando o limite era o município inteiro, e Alcântara ganhou o título de Cidade Monumento Nacional. A área protegida só foi definida nos anos 1990, e a Lei nº 244, de 10 de outubro de 1997, estabeleceu seus limites e regras de ocupação do solo. Há cerca de 400 imóveis na área. Em 2004 o Iphan passou a considerar também o valor paisagístico, urbano e arqueológico do lugar, e não só o arquitetônico.

A base e as comunidades quilombolas

A instalação do centro de lançamento afetou comunidades quilombolas. A Advocacia-Geral da União relata que, por volta de 1980, foram inicialmente expropriados 52 mil hectares e que, a partir de 1986, cerca de 312 famílias de 31 comunidades quilombolas foram levadas para sete agrovilas, até 2001. Em 21 de novembro de 2024, a Corte Interamericana de Direitos Humanos declarou o Brasil responsável por violações contra 171 comunidades quilombolas do município, que ocupam cerca de 85,5 mil hectares.

Como sabemos

Datas e cifras de tombamento e do município vêm do Iphan e do Arquivo Nacional; o deslocamento quilombola e a sentença vêm da Advocacia-Geral da União, em resumo oficial.

Em debate: O Iphan descreve o conjunto colonial como consolidado ao longo do século XVII, enquanto o Arquivo Nacional situa o auge econômico entre o fim do século XVIII e o início do XIX; o texto usa a segunda datação para o auge.

Em debate: O uso da área pelo centro de lançamento é objeto de disputa política e jurídica com comunidades quilombolas, incluída sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos de 2024; a Advocacia-Geral da União relata que o Brasil reconheceu parcialmente responsabilidade.

Fontes

  1. Iphan, Conjuntos Urbanos Tombados (arquivo do portal) — Alcântara (MA)
    consultada em 04/10/2026
  2. Arquivo Nacional, Que República é Essa? — Alcântara, Maranhão
    consultada em 04/10/2026
  3. Advocacia-Geral da União — Caso Comunidades Quilombolas de Alcântara vs. Brasil
    consultada em 04/10/2026
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