Ciências da Terra

Albedo: do oceano, que reflete 6% da luz solar, à neve, que chega a 90%, e o que isso faz pelo clima

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Tempo e clima

Albedo é a fração da luz solar que uma superfície reflete, numa escala de 0 a 1. O oceano aberto reflete cerca de 6%; o gelo marinho sem neve, de 50% a 70%; o gelo coberto de neve, até 90%. Em média, a Terra reflete cerca de 30%. Como a superfície escura absorve mais energia, a perda de neve e gelo tende a aquecer ainda mais: é a retroalimentação gelo-albedo.

A luz do Sol chega sobretudo como radiação visível, chamada de onda curta. O que a superfície não reflete, ela absorve, e essa energia esquenta o solo e a água, evapora água e derrete gelo. O albedo vai de 0 (a superfície absorve tudo) a 1 (reflete tudo). O efeito é cotidiano: o asfalto absorve mais energia que o concreto, mais claro. Na escala do planeta, o albedo médio, cerca de 0,30, soma o que nuvens, partículas e superfícies devolvem ao espaço. O balanço completo de energia da Terra tem artigo próprio; aqui o foco é por que gelo, nuvens, florestas e cidades pesam de modos tão diferentes.

Poças de degelo e a queda do albedo

Quando a neve sobre o gelo marinho começa a derreter e surgem poças rasas, com albedo de cerca de 0,4 a 0,5, o albedo da superfície cai para cerca de 0,75, segundo o NSIDC. E cai mais conforme as poças crescem e se aprofundam.

Quanto cada superfície reflete

O oceano aberto reflete cerca de 6% da luz solar; o gelo marinho sem neve, de 50% a 70%; com neve por cima, até 90%. Oceanos e florestas têm albedo baixo; desertos, gelo e nuvens, alto. Em energia, a diferença é grande: o oceano absorve cerca de 94% da luz e o gelo com neve, cerca de 10% ou mais, ou seja, até nove vezes menos (conta nossa). O albedo de uma mesma superfície muda com as condições, como as poças de degelo.

A retroalimentação gelo-albedo

Retroalimentação é um efeito que reforça (positiva) ou reduz (negativa) a mudança que o provocou. No gelo, o calor derrete neve e gelo, a superfície escura que aparece absorve mais energia e isso acelera o derretimento: o NSIDC descreve esse mecanismo nas poças e nas frestas de água. O IPCC avalia, com alta confiança, que a retroalimentação do albedo de superfície é positiva, com 0,35 W/m² por °C e faixa muito provável de 0,10 a 0,60. A perda de gelo marinho, em si, tem outro artigo.

Nuvens: refletem, mas também retêm calor

As nuvens fazem duas coisas opostas. Refletem luz solar, o que esfria, e absorvem a radiação infravermelha da superfície, reemitindo parte dela para baixo, o que aquece. O saldo depende da altura e da espessura. Estratocúmulos, baixos e espessos, esfriam; cirros, altos e finos, deixam passar a luz e retêm calor; cumulonimbos, altos e espessos, quase se anulam. Somando todas, o resfriamento predomina, num equilíbrio apertado.

Florestas e cidades: o albedo é só uma parte da conta

Florestas são escuras (0,14 numa floresta densa, num caso limite), mas o efeito no clima depende do lugar. Em florestas boreais com neve, tirar as árvores expõe a neve e eleva o albedo: no Canadá, incêndios tenderam ao resfriamento líquido, mas no Alasca, o carbono emitido e o degelo do permafrost pesaram mais. Já a urbanização, ao reduzir o albedo, esquentou o planeta só cerca de 0,00014 °C (2018 em relação a 2001), e as cidades cobrem menos de 3% das terras.

Como sabemos: satélites que medem o que a Terra reflete

O albedo do planeta é medido do espaço. Os instrumentos CERES, da NASA, usam radiômetros de varredura para medir a energia solar refletida e a radiação infravermelha emitida. Entre 2000 e 2011 não houve tendência global significativa: o albedo subiu e desceu de ano para ano, e uma queda aparente no início dos anos 2000 sumiu com mais dados. Regionalmente, a refletividade caiu no Ártico. Para detectar mudança acima da variabilidade natural, é preciso um registro mais longo.

Como sabemos

Valores e mecanismos vêm de NSIDC, NASA e IPCC lidos na íntegra e conferidos por trecho literal; os pontos incertos (nuvens, florestas) estão marcados como estimativa.

Fontes

  1. NSIDC, Universidade do Colorado em Boulder — Science of Sea Ice
    National Snow and Ice Data Center (NSIDC) · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. NASA Earth Observatory — Measuring Earth's Albedo
    NASA Earth Observatory (imagens de Robert Simmon; texto de Mike Carlowicz) · 2014 · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. NASA Earth Observatory — Clouds and Radiation
    NASA Earth Observatory · s.d. · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. IPCC — The Earth's Energy Budget, Climate Feedbacks, and Climate Sensitivity (IPCC AR6 WG1, cap. 7)
    Forster, P.; Storelvmo, T.; Armour, K. et al. · 2021 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. Nature Communications — Albedo changes caused by future urbanization contribute to global warming
    Ouyang, Z.; Sciusco, P.; Jiao, T. et al. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-022-31558-z
  6. Nature Geoscience — Climate impacts from North American boreal forest fires
    van Gerrevink, M. J.; Veraverbeke, S.; Cooperdock, S. et al. · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41561-026-01940-3
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 2; conferência de trechos automatizada)

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