Zoologia

Albatrozes caçam pelo cheiro, e o plástico no mar emite DMS, odor ligado à ingestão em aves aparentadas

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Sentidos dos animais

Albatrozes-errantes usam o olfato: em rastros de GPS, a detecção inicial por cheiro foi apontada em 46,8% das aproximações em voo que terminaram em captura. O plástico deixado no mar por cerca de 3 semanas passou a emitir sulfeto de dimetila (DMS), odor de alimento. Entre 25 espécies de albatrozes, petréis e pardelas, as sensíveis ao DMS ingeriram mais plástico.

Aves marinhas do grupo dos procelariiformes (albatrozes, petréis e pardelas) são muito olfativas. O cheiro de uma presa no mar não forma um gradiente suave: o vento o espalha em plumas turbulentas e descontínuas, e a ave precisa cruzar o vento até encontrar um filamento de odor e então seguir contra ele. Um desses odores é o sulfeto de dimetila (DMS), gás produzido a partir do fitoplâncton quando o zooplâncton o pasta. Pesquisadores seguiram albatrozes com GPS para ver se o voo lembra uma busca por cheiro e, num trabalho separado, mediram DMS em plástico deixado no mar. O elo entre os dois, a ingestão de plástico, é uma associação entre espécies, não um teste direto.

Olfato e navegação

Pardelas-de-Scopoli tratadas para perder o olfato voltaram da pesca com mais massa, mas não se orientaram para a colônia em mar aberto. Nesse teste, o cheiro pareceu mais importante para navegar do que para achar comida.

Como sabemos: GPS, sensor no estômago e a forma da rota

A equipe de Gabrielle Nevitt prendeu registradores GPS a albatrozes-errantes e sensores de temperatura estomacal, que marcam quando uma presa é engolida. Para cada captura, classificou a rota num raio de 10 km em direta, com virada ou ziguezague, e circular. Se o cheiro guia a ave, ela deve cruzar o vento e depois subir contra ele em ziguezague, como se vê em insetos; se a visão guia, a rota deve ser direta. As aproximações com virada ou ziguezague ficaram voltadas contra o vento. É inferência: ninguém mediu o odor que a ave sentiu.

Por que o plástico passa a cheirar a alimento

Plástico flutuante é colonizado por organismos que formam um filme biológico. Em 2016, Matthew Savoca e colegas deixaram grânulos de plástico por 19 a 21 dias em boias na costa da Califórnia e mediram os gases liberados por cromatografia gasosa. O plástico virgem não tinha DMS, e todas as amostras expostas ao mar tinham. Foi um experimento de química, em dois locais, não um teste com aves.

Associação não é prova: o que falta testar

O mesmo artigo reanalisou 55 estudos sobre plástico ingerido por 25 espécies de procelariiformes. As espécies sensíveis ao DMS tinham mais plástico, 48,05% contra 7,52%, e as que nidificam em tocas, usadas como indicador, 25,01% contra 8,56%. Isso sugere um elo, mas outros fatores podem se somar, inclusive a visão do plástico como falsa presa, que os autores também consideram. Faltam testes que ofereçam às aves o odor do plástico exposto ao mar e acompanhem a reação.

Olfato não é tudo: o contraponto das pardelas sem cheiro

Nem tudo que as aves fazem depende do olfato. Pardelas-de-Scopoli tratadas com sulfato de zinco, que destrói as células olfativas, pescaram e voltaram com mais massa, mas se desorientaram no mar aberto na viagem de volta. Era uma espécie próxima, não um albatroz, e a amostra foi pequena, de 10 aves anósmicas. Para os albatrozes, o quadro é de uso combinado de cheiro e visão, em que o cheiro dá a pista de longe e a visão decide o bote.

Como sabemos

O olfato do albatroz-errante e a presença de DMS no plástico vêm de dois artigos lidos por inteiro; o elo com a ingestão de plástico é uma associação entre espécies, e o artigo não testa albatrozes cheirando plástico.

Fontes

  1. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS); Universidade da Califórnia em Davis — Evidence for olfactory search in wandering albatross, Diomedea exulans
    Nevitt, G. A.; Losekoot, M.; Weimerskirch, H. · 2008 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1073/pnas.0709047105
  2. Science Advances (AAAS); Universidade da Califórnia em Davis — Marine plastic debris emits a keystone infochemical for olfactory foraging seabirds
    Savoca, M. S.; Wohlfeil, M. E.; Ebeler, S. E.; Nevitt, G. A. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.1600395
  3. Scientific Reports (Nature Portfolio); Universidade de Oxford — Anosmia impairs homing orientation but not foraging behaviour in free-ranging shearwaters
    Padget, O.; Dell'Ariccia, G.; Gagliardo, A.; González-Solís, J.; Guilford, T. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/s41598-017-09738-5
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 19; conferência de trechos automatizada)

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