Zoologia

Como o Aedes aegypti acha você: CO2, calor, cheiro da pele e visão se combinam

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Sentidos dos animais

O Aedes aegypti não segue uma pista só. O CO2 da respiração sinaliza um hospedeiro por perto; calor e odor da pele ajudam a escolher onde pousar. Em mutantes sem o receptor de CO2, a atração ao calor e ao ácido lático sumiu em testes de laboratório, mas eles ainda acharam pessoas em campo cercado. Num túnel de vento, o odor da pele atraiu mais pousos que calor ou imagem sozinhos.

Só as fêmeas picam, porque usam o sangue para produzir ovos. Para achar um hospedeiro, o A. aegypti junta pistas físicas e químicas. O CO2 exalado é comum a qualquer animal de sangue quente e, em experimentos, funciona como alerta; o odor da pele, com ácidos presentes no suor, ajuda a distinguir pessoas de outros animais; o calor chega por convecção, por radiação infravermelha e por contato; a umidade e a visão completam o quadro. Os receptores que captam odores incluem a família dos ORs, que depende do co-receptor Orco, e a dos receptores ionotrópicos (IRs). A evidência vem de mosquitos geneticamente modificados em laboratório e de ensaios em túnel de vento e gaiolas de campo; poucos testes foram feitos em situações realistas, e o conjunto ainda tem hipóteses abertas.

Sem detectar CO2, ainda acha gente

Mutantes Gr3, que não sentem CO2, perderam a atração ao calor e ao ácido lático em testes controlados, mas ainda foram atraídos por voluntários em gaiola de campo. Os autores sugerem que calor e odor juntos bastam, em parte, nessas condições.

Como sabemos: mosquitos que não sentem CO2

Para testar o peso do CO2, a equipe de McMeniman usou nucleases de dedo de zinco para desativar o gene Gr3, uma subunidade do receptor de CO2, em A. aegypti. Os mutantes perderam as respostas ao gás e, em ensaios, a atração ao calor e ao ácido lático, o que sugere que o CO2 libera as outras respostas. Mas em gaiola de campo, com voluntários, só houve prejuízo leve: há redundância entre as pistas.

Cheiro: o que distingue uma pessoa

Calor e CO2 são comuns a todos os hospedeiros de sangue quente, então um odor específico deve explicar a preferência por humanos. Mutantes do co-receptor Orco perderam a forte preferência por humanos, mas continuaram atraídos por humanos e animais com CO2 presente. Os ácidos carboxílicos, comuns no suor, são odores muito atrativos, e receptores ionotrópicos respondem a eles em células. Que sejam os responsáveis no mosquito vivo ainda é hipótese.

Calor e umidade: três distâncias

Segundo uma revisão de 2026, o calor age em três alcances: o infravermelho, que em um estudo recente atraiu mosquitos a até 70 cm de um alvo parecido com uma pessoa; a convecção, em plumas de ar aquecido que costumam se estender por dezenas de centímetros; e a condução, no contato. A umidade perto do corpo parece agir de forma redundante com o calor. Parte dos dados vem de outro mosquito (Anopheles gambiae), então nem tudo vale para o Aedes.

Visão e a combinação das pistas

Num túnel de vento, o odor da pele atraiu mais pousos que calor e imagem juntos, e estes mais que cada um sozinho. Em arena de voo, o CO2 aumentou a atenção visual e a sensibilidade ao contraste de A. aegypti presos pelo tórax. Os autores do túnel propõem uma hierarquia de pistas, não só uma sequência por distância. Todos os testes são de laboratório, com linhagens como a Orlando, e não medem o que acontece em casas e ruas.

Como sabemos

Resultados de laboratório bem documentados, mas infravermelho, umidade e Ir25a vêm de uma revisão (segunda mão) e algumas conclusões são hipóteses dos autores.

Fontes

  1. Journal of Insect Behavior — Primacy of Human Odors Over Visual and Heat Cues in Inducing Landing in Female Aedes aegypti Mosquitoes
    Sumner, B. D.; Cardé, R. T. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1007/s10905-022-09796-2
  2. Cell — Multimodal integration of carbon dioxide and other sensory cues drives mosquito attraction to humans
    McMeniman, C. J.; Corfas, R. A.; Matthews, B. J.; Ritchie, S. A.; Vosshall, L. B. · 2014 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1016/j.cell.2013.12.044
  3. Nature — orco mutant mosquitoes lose strong preference for humans and are not repelled by volatile DEET
    DeGennaro, M.; McBride, C. S.; Seeholzer, L. et al. · 2013 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/nature12206
  4. Current Opinion in Neurobiology — Mosquito heat and humidity detection in host seeking and oviposition behavior
    Keane, G. T.; Garrity, P. A. · 2026 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1016/j.conb.2026.103225
  5. Biology Letters — Carbon dioxide and blood-feeding shift visual cue tracking during navigation in Aedes aegypti mosquitoes
    Barredo, E.; Raji, J. I.; Ramon, M.; DeGennaro, M.; Theobald, J. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1098/rsbl.2022.0270
  6. PLoS Neglected Tropical Diseases — Carboxylic acids that drive mosquito attraction to humans activate ionotropic receptors
    Ray, G.; Huff, R. M.; Castillo, J. S.; Bellantuono, A. J.; DeGennaro, M.; Pitts, R. J. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pntd.0011402
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 17; conferência de trechos automatizada)

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