Oceanografia

Chapeirões de Abrolhos: recifes em forma de cogumelo, construídos em boa parte por briozoários

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Os seis biomas do Brasil

Em Abrolhos, na Bahia, os recifes da plataforma média formam chapeirões: pináculos de até cerca de 20 m de altura, com topo largo sobre base estreita, como cogumelos. Estão no maior e mais rico complexo de recifes de coral do Atlântico Sudoeste, segundo os estudos citados. Em testemunhos dos últimos 2.000 anos, briozoários chegaram a 44% do arcabouço, mais que algas calcárias e corais.

Recife é uma estrutura rígida de carbonato de cálcio que cresce por camadas. Em recifes de coral típicos, os principais construtores são corais e algas calcárias incrustantes. Briozoários são animais coloniais minúsculos que filtram partículas da água. O arcabouço é o esqueleto do recife, e testemunho é um cilindro de material extraído por perfuração, que permite datar camadas por carbono-14. Pináculo é uma coluna recifal que sobe do fundo. Em Abrolhos os recifes se organizam em dois arcos, um perto da costa e outro mais afastado, na plataforma média, onde estão os chapeirões. O texto trata do formato, do que os testemunhos mostram e dos corais endêmicos; baleias-jubarte e rodolitos têm textos próprios.

Cogumelos de 40 m de largura

Os autores descrevem estruturas isoladas, de base cilíndrica e topo expandido, com mais de 20 m de altura e 40 m de largura no topo, a ponto de lembrar cogumelos gigantes.

O que é um chapeirão

Chapeirão ("grande chapéu") é o nome local dos pináculos recifais da plataforma média de Abrolhos. Têm base cilíndrica e topo alargado perto da superfície, de 2 a 20 m de altura e 2 a 50 m de diâmetro. O topo é raso e iluminado e concentra a maior cobertura e variedade de corais; as paredes são íngremes e sombreadas. Perto da costa os pináculos são mais baixos e muitas vezes se juntam em bancos. Os mais fundos, com topo abaixo de 10 m, não tinham a forma de cogumelo.

Como sabemos: testemunhos e carbono-14

Bastos e colegas perfuraram pináculos com uma perfuradora hidráulica operada por mergulhadores, em três profundidades (4, 15 e 25 m), e identificaram os organismos que formam o arcabouço. A idade veio de datação por carbono-14. O resultado cobre cerca de 2.000 anos: briozoários chegaram a 44% do arcabouço, algas calcárias ficaram abaixo de 28% e corais abaixo de 23%. O crescimento vertical foi de 0,9 a 2,7 mm por ano, parecido com o de recifes típicos. O limite é a amostra, de três pináculos de um arco.

Por que a forma de cogumelo: hipóteses

A explicação anterior atribuía a forma à queda do nível do mar nos últimos 4.000 anos, que limitaria o crescimento para cima. Para Bastos e colegas, isso não basta sozinho: o topo plano aparece em até 10 m de profundidade e os dados não sustentam o nível do mar como único controle. Eles propõem que a baixa frequência de tempestades tropicais ajude, ao deixar as expansões laterais crescerem sem quebrar. É hipótese, não resultado de experimento.

Mussismilia e os corais endêmicos

Mussismilia é um gênero de corais-cérebro com quatro espécies no Brasil, segundo Oliveira e colegas; ao menos M. braziliensis e M. harttii estão sob risco de extinção. Em Abrolhos, a maioria dos corais é endêmica e quase não há formas ramificadas, exceto os milepórideos. Ribeiro e colegas citam previsão de que M. braziliensis quase desapareça em menos de um século se a mortalidade por doenças não for revertida. É previsão condicional de terceiros, não medição própria.

Como sabemos

Fatos de forma e extensão sustentados por cinco artigos de acesso aberto; a origem da forma de cogumelo é hipótese e o papel dos briozoários vem de um estudo de três pináculos.

Fontes

  1. Scientific Reports — Bryozoans are Major Modern Builders of South Atlantic Oddly Shaped Reefs
    Bastos, A. C.; Moura, R. L.; Moraes, F. C.; et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41598-018-27961-6
  2. PLoS ONE — Decadal (2006-2018) dynamics of Southwestern Atlantic's largest turbid zone reefs
    Teixeira, C. D.; Chiroque-Solano, P. M.; et al. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0247111
  3. PeerJ — Long-term effects of competition and environmental drivers on the growth of the endangered coral Mussismilia braziliensis
    Ribeiro, F. V.; et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.7717/peerj.5419
  4. PLoS ONE — Modeling impacts of climate change on the potential habitat of an endangered Brazilian endemic coral: Discussion about deep sea refugia
    de Oliveira, U. D. R.; et al. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0211171
  5. PLoS ONE — Carbonate Production by Benthic Communities on Shallow Coralgal Reefs of Abrolhos Bank, Brazil
    Reis, V. M.; et al. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0154417
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 17; conferência de trechos automatizada)

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