Zoologia

Abelhas colocam o zero abaixo do um: o que o estudo de 2018 mostrou e o que ele não permite concluir

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Inteligência animal

Em 2018, abelhas treinadas com conjuntos de um a seis elementos aplicaram a regra "menos que" também ao conjunto vazio e o puseram na ponta inferior da escala. O resultado mostra que o vazio entra na mesma escala de quantidades que o um e o dois; não mostra que a abelha tenha o conceito humano de zero, com símbolo e aritmética.

Numerosidade é o número de itens de um conjunto, avaliado sem contar com palavras. Conjunto vazio é aquele sem nenhum item. No estudo de Howard e colegas (Science, junho de 2018), abelhas-europeias individuais aprenderam, por recompensa e punição, a escolher entre dois estímulos o que tinha mais ou o que tinha menos elementos, com quantidades de um a seis. Depois, apareceu um estímulo sem elementos. As abelhas o trataram como o menor valor possível. Para os autores, isso aproxima as abelhas de macacos, de um papagaio-cinzento e de crianças pré-escolares nesse aspecto; o texto abaixo explica por que "aproxima" não equivale a "igual".

O zero chegou tarde à escrita e à infância

Nas introduções dos artigos lidos, o zero aparece em sistemas de notação muito depois da lista de números inteiros, e crianças dominam o zero depois dos outros numerais. O que as abelhas fazem não passa por símbolo algum.

O que foi testado

As abelhas aprenderam uma regra de comparação (escolher o conjunto com mais ou com menos elementos) com quantidades de um a seis, treinadas com recompensa e punição, protocolo que a mesma equipe descreve como melhor para tarefas difíceis. Só depois foi apresentado o estímulo vazio. Medir se a regra se estende ao vazio é o teste: a abelha não foi treinada a escolher o vazio, e os autores relatam que ela o pôs abaixo de um a seis sem treino específico para o zero.

Como sabemos que o vazio entrou na escala

A evidência é o padrão de erros. Segundo Kirschhock et al. (2021), abelhas e macacos confundem o um com o vazio mais do que confundem o dois com ele. Se o vazio fosse só a categoria "nada", sem posição na escala, não haveria razão para que o erro dependesse de a quantidade ser um ou dois. Esse gradiente de proximidade é o que se espera de um vazio posicionado ao lado do um. É uma inferência de comportamento: nenhum registro neuronal em abelhas foi encontrado nas fontes lidas.

Macacos, corvos e um chimpanzé

Macacos-rhesus emparelharam e ordenaram conjuntos vazios sem treino, com efeitos de distância (2009). Em corvos-de-carniça, só um dos dois animais mostrou o efeito de distância, e neurônios do nidopálio caudolateral foram sintonizados ao zero (2021). O chimpanzé Ai, que aprendeu um símbolo para zero, precisou de treino em cada tarefa e não transferiu o símbolo de uma para outra. Os testes diferem entre espécies, então a comparação é de padrão, não de ranking.

O que o estudo não diz

Os experimentos mostram ordenação não simbólica do vazio. Não mostram símbolo para zero, aritmética com o zero ou o sentido de "nenhum" que usamos. Os autores comparados falam em "precursor" ou "noção primitiva", e uma análise filosófica observa que, nesses testes, o sujeito foi preparado para perceber quantidades e a ausência é um estímulo possível. Interpretações sobre evolução independente são inferências, não demonstrações.

Como sabemos

O resultado central está no resumo do artigo e em descrições de outros estudos; o texto integral da Science não foi lido.

Em debate:

Fontes

  1. Science (AAAS) — Numerical ordering of zero in honey bees
    Howard, S. R.; Avarguès-Weber, A.; Garcia, J. E.; Greentree, A. D.; Dyer, A. G. · 2018 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.aar4975
  2. Journal of Experimental Psychology: General — Empty sets as part of the numerical continuum: conceptual precursors to the zero concept in rhesus monkeys
    Merritt, D. J.; Rugani, R.; Brannon, E. M. · 2009 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1037/a0015231
  3. Universidade de Tübingen; Journal of Neuroscience — Behavioral and neuronal representation of numerosity zero in the crow
    Kirschhock, M. E.; Ditz, H. M.; Nieder, A. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1523/JNEUROSCI.0090-21.2021
  4. Proceedings of the Royal Society B — Symbolic representation of numerosity by honeybees (Apis mellifera): matching characters to small quantities
    Howard, S. R.; Avarguès-Weber, A.; Garcia, J. E.; Greentree, A. D.; Dyer, A. G. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rspb.2019.0238
  5. Science Advances — Numerical cognition in honeybees enables addition and subtraction
    Howard, S. R.; Avarguès-Weber, A.; Garcia, J. E.; Greentree, A. D.; Dyer, A. G. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.aav0961
  6. Kurt Gödel Research Center, Universidade de Viena; Synthese — Absence perception and the philosophy of zero
    Barton, N. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1007/s11229-019-02220-x
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)

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