Zoologia

Abelhas aprendem 'igual' e 'diferente' e aplicam a regra a estímulos novos: conceito ou regra associativa?

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Inteligência animal

Abelhas treinadas a escolher o estímulo igual à amostra, ou o diferente dela, repetiram a regra diante de estímulos inéditos, inclusive trocando cores por listras e por odores. Isso é difícil de explicar por uma associação com um estímulo específico, mas o debate continua: num teste de acima e abaixo filmado em alta velocidade, as abelhas que acertaram em geral inspecionavam de perto uma só peça do padrão.

No teste de combinação com amostra, uma abelha marcada voa até um labirinto em Y, vê uma amostra e escolhe entre dois estímulos; só o que combina (ou, na versão inversa, o que difere) dá acesso ao açúcar. Se ela acerta diante de estímulos novos, mesmo de outro sentido, não pode estar usando a lembrança de um estímulo específico. Esse é o argumento para falar em conceito: uma relação codificada de modo independente dos objetos. A alternativa é uma regra associativa mais simples, ligada a um detalhe do padrão ou a um modo de olhar. Os estudos abaixo mostram o que cada teste exclui e o que deixa em aberto.

Uma memória de cinco segundos

Na tarefa de combinar com a amostra, a abelha só vê a amostra na entrada do labirinto. Quando o caminho até a câmara de decisão foi alongado, a memória da amostra durou cerca de cinco segundos, tempo parecido com o de outras memórias visuais e olfativas de curta duração das abelhas.

Como o teste de combinação separa a regra do estímulo

No protocolo de Giurfa e colegas (2001), a amostra muda de visita em visita e não dá recompensa, e o lado do açúcar troca ao acaso; por isso nem um estímulo fixo nem uma posição resolvem a tarefa. O teste decisivo vem depois: com estímulos que a abelha nunca viu, até de outro sentido, ela ainda segue a regra. Segundo a revisão de Giurfa (2021), isso vale para cores, listras e odores. A descrição do estudo original, porém, vem dessa revisão e do resumo da Nature.

Acima e abaixo: a mesma lógica com a posição relativa

Em 2011, o alvo variava e o referente (uma barra) ficava fixo; diante de um alvo inédito, as abelhas escolheram a relação treinada em 75,4% (± 1,8) das vezes, com 8 abelhas. Em 2012, controles testaram a orientação global (uma barra grande contra dois estímulos deslocados) e a correspondência de modelo, que só pôde ser descartada nos experimentos 2 e 3. Os grupos eram de 4 a 5 abelhas por barra.

O que a filmagem de 2018 acrescentou

Guiraud e colegas filmaram cada tentativa a 120 quadros por segundo. Em 8 das 19 abelhas (42%) não houve aprendizado, e, entre as demais, o primeiro item examinado era em geral a peça mais baixa. Nesse desenho, olhar de perto só o item de baixo basta; uma abelha, porém, chegou a 90% de acertos escolhendo da câmara de decisão. O estudo não testou igual e diferente, e a causa da diferença com 2011 não está estabelecida.

O que "conceito" significa nesta discussão

Giurfa (2021) usa um critério operacional: se a abelha escolhe pela relação e transfere a estímulos novos, o termo "conceito" descreve o que ela faz, qualquer que seja a natureza do conhecimento. Cope e colegas (2018) propõem, como hipótese, que corpos pedunculados com memória da amostra bastam para reproduzir os resultados. Como a diferença entre uma regra associativa ampla e um conceito depende dessa definição, o debate é em parte sobre a palavra.

Como sabemos

Os protocolos e resultados estão bem descritos em artigos abertos, mas o estudo original de 2001 só foi lido no resumo e a interpretação (conceito ou estratégia de baixo nível) segue em disputa.

Em debate:

Fontes

  1. Nature — The concepts of 'sameness' and 'difference' in an insect
    Giurfa, M.; Zhang, S.; Jenett, A.; Menzel, R.; Srinivasan, M. V. · 2001 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/35073582
  2. Current Opinion in Behavioral Sciences — Learning of sameness/difference relationships by honey bees: performance, strategies and ecological context
    Giurfa, M. · 2021 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1016/j.cobeha.2020.05.008
  3. Proceedings of the Royal Society B — Conceptualization of above and below relationships by an insect
    Avarguès-Weber, A.; Dyer, A. G.; Giurfa, M. · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rspb.2010.1891
  4. Proceedings of the National Academy of Sciences — Simultaneous mastering of two abstract concepts by the miniature brain of bees
    Avarguès-Weber, A.; Dyer, A. G.; Combe, M.; Giurfa, M. · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.1202576109
  5. Frontiers in Psychology — High-speed videography reveals how honeybees can turn a spatial concept learning task into a simple discrimination task by stereotyped flight movements and sequential inspection of pattern elements
    Guiraud, M.; Roper, M.; Chittka, L. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3389/fpsyg.2018.01347
  6. PLoS Computational Biology — Abstract concept learning in a simple neural network inspired by the insect brain
    Cope, A. J.; Vasilaki, E.; Minors, D.; Sabo, C.; Marshall, J. A. R.; Barron, A. B. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pcbi.1006435
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 10; conferência de trechos automatizada)

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