Zoologia

Como se testa se abelhas contam: os controles de área e perímetro, e por que o limite aparece perto de quatro

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Inteligência animal

Abelhas treinadas a escolher o padrão com o mesmo número de elementos da amostra seguiram acertando quando o teste igualou a área total e o perímetro dos elementos e trocou forma, cor e posição. Só o número ficou constante. Isso afasta a explicação por área, mas o desempenho cai em 4 contra 3 e não passa do acaso em 4 contra 5.

Contar é distinto de perceber "mais coisas". Quando se mostra 2 contra 3 pontos, o conjunto maior também tem, em geral, mais área escura, mais perímetro e mais densidade, e qualquer uma dessas pistas bastaria para acertar. O teste de Gross e colegas (2009) usa um labirinto em Y e uma tarefa de "escolha conforme a amostra": a abelha voa diante de um padrão de amostra, atravessa um túnel e escolhe, entre dois padrões, o que tem o mesmo número de elementos. Depois de treinada, é exposta a padrões novos em que cada pista possível é igualada ou embaralhada, um de cada vez. Um estudo de 2019 repetiu a lógica com outro desenho e outro grupo de pesquisa.

Estrelas, limões e uma flor de isca

Em um dos testes, a amostra de três pontos azuis tinha de ser casada com três limões amarelos. Em outro, uma flor roxa aparecia tanto na amostra de três elementos quanto no padrão errado de dois, como isca; a maioria das abelhas ignorou a pista.

Por que área e perímetro são o primeiro suspeito

Em padrões de pontos, número e quantidade de tinta caminham juntos: mais pontos, em geral, significam mais área escura e mais borda. Uma abelha que escolhesse "o padrão mais escuro" acertaria 3 contra 2 sem contar nada. Por isso o delineamento de 2009 iguala a área total e o comprimento das bordas dos padrões de escolha, e o de 2019 mistura estímulos com e sem área igualada. O controle só vale para a pista que ele neutraliza, e por isso cada pista tem seu teste.

Troca de material: forma, cor e posição

Mesmo com área igualada, a abelha poderia guardar uma imagem do padrão ou se apoiar na figura geral desenhada pelos pontos, como um triângulo contra uma reta. Os autores trocaram os pontos por outros elementos, usaram amostras e escolhas sem elemento em comum e alinharam tudo em retas de igual comprimento. Uma isca, como a flor roxa presente na amostra e no padrão errado, serviu para testar se uma pista tentadora atrapalharia a escolha.

O limite perto de quatro

O resultado repetido é uma queda do desempenho a partir de quatro: 4 contra 3 não passou do acaso de forma consistente em 2009, e em 2019 o par 3 contra 4 foi o mais difícil. Há duas explicações em jogo. Uma é a razão entre os números (0,66 em 2 contra 3, 0,75 em 3 contra 4), semelhante ao que se vê em vertebrados. A outra é um limite em quantidades discretas. Os testes descritos aqui não decidem entre elas, e resultado nulo em 4 contra 5 não prova incapacidade.

O que os testes não mostram

Nenhum dos artigos afirma que a abelha conte como uma pessoa conta. Os autores de 2009 falam em generalização pelo número de elementos. A frequência espacial, número de ciclos claro-escuro por grau de ângulo visual, pode variar com o número de pontos; o estudo de 2019 argumenta que, para uma abelha em voo, essa medida é difícil de usar porque o ângulo visual muda com a distância e a postura. Isso é um argumento, não um teste direto da hipótese.

Como sabemos

Os controles de área, perímetro, cor, forma, posição e cheiro estão bem documentados em artigos abertos; o limite perto de quatro é um padrão empírico, não um mecanismo estabelecido.

Em debate:

Fontes

  1. PLoS ONE — Number-Based Visual Generalisation in the Honeybee
    Gross, H. J.; Pahl, M.; Si, A.; Zhu, H.; Tautz, J.; Zhang, S. · 2009 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0004263
  2. Biology Letters (Royal Society) — Honeybees use absolute rather than relative numerosity in number discrimination
    Bortot, M.; Agrillo, C.; Avarguès-Weber, A.; Bisazza, A.; Petrazzini, M. E. M.; Giurfa, M. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rsbl.2019.0138
  3. Frontiers in Psychology — Numerical cognition in bees and other insects
    Pahl, M.; Si, A.; Zhang, S. · 2013 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3389/fpsyg.2013.00162
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)

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