Astronomia

51 Pegasi b, 1995: como se descobriu o primeiro exoplaneta em torno de uma estrela de tipo solar

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Astrobiologia

Michel Mayor e Didier Queloz mediram, com o espectrógrafo ELODIE, uma oscilação de cerca de quatro dias na velocidade radial da estrela 51 Pegasi. O que melhor a explicava era um planeta de massa mínima próxima à de Júpiter, a só 0,05 UA da estrela. Anunciado em 6 de outubro de 1995, foi o primeiro exoplaneta achado em torno de uma estrela de tipo solar; o relato anterior mais promissor era de planetas ao redor de um pulsar.

Velocidade radial é a componente do movimento de uma estrela ao longo da nossa linha de visada. Estrela e planeta giram em torno do centro de massa comum, então a estrela vai e volta em relação a nós, e o efeito Doppler desloca suas linhas espectrais para o azul quando ela se aproxima e para o vermelho quando se afasta. Medir essas variações por meses e anos revela o período da órbita e dá um limite inferior para a massa do companheiro. O desafio é a escala: visto de longe, o Sol balança só alguns metros por segundo por causa de Júpiter, e o instrumento precisa ser estável nessa escala por anos. Os métodos gerais de caça a exoplanetas estão no artigo ligado abaixo; aqui o foco é a descoberta de 1995.

A ironia de agosto de 1995

No mesmo mês em que o artigo de Mayor e Queloz chegou à revista Nature, o grupo de Gordon Walker publicou uma revisão concluindo que nenhum planeta de massa de Júpiter ou maior tinha sido detectado em torno de estrelas de tipo solar.

Como um planeta que ninguém vê faz a estrela balançar

Estrela e planeta orbitam o centro de massa comum, e por isso a estrela descreve uma pequena órbita. Quando ela se aproxima de nós, sua luz fica mais azul; quando se afasta, mais vermelha. O que se mede é o deslocamento das linhas escuras do espectro. O período da repetição é o da órbita; a amplitude, junto com a massa da estrela, dá a massa mínima do planeta. Para o Sol visto de longe, o efeito de Júpiter é de uns 13 m/s.

O que o ELODIE fez de diferente

Grupos rivais usavam uma célula de gás à frente do espectrógrafo para ter uma régua de comprimento de onda, o que só funcionava com estrelas brilhantes. O ELODIE, de Haute-Provence, usava fibras ópticas e uma lâmpada de calibração de tório e argônio, e media a velocidade de milhares de linhas ao mesmo tempo. Com exatidão de 13 m/s e exposições de 30 minutos, permitiu acompanhar 142 estrelas em vez de poucas dezenas.

Como sabemos que era um planeta, e os limites disso

Pulsação e manchas estelares também mudam as linhas do espectro e podem imitar um planeta. O que fortaleceu o caso foi o sinal regular de 4,23 dias, de amplitude (59 m/s) bem acima do erro, e a confirmação rápida por duas outras equipes, possível por causa do período curto. O método não dá o raio nem a massa verdadeira: só a massa mínima, 0,47 massa de Júpiter dividida por sen(i). Ver o planeta transitar a estrela viria depois.

A surpresa do Júpiter quente

Pelo Sistema Solar, gigantes gasosos ficariam longe da estrela, e não a 0,05 UA, a temperatura estimada de 1.300 K. A explicação que se firmou foi a migração: o planeta teria se formado mais longe, talvez a cerca de 5 UA, e se aproximado pela interação com o disco de gás. O documento do Nobel sustenta que o Sistema Solar pode não ser típico, com a ressalva de que o método favorece planetas próximos às estrelas.

Como sabemos

Cronologia, método e parâmetros sustentados por documentos da Academia Real Sueca de Ciências, do ESO e da Universidade de Genebra, lidos na íntegra.

Fontes

  1. European Southern Observatory (ESO) — 2019 Nobel Prize in Physics Awarded for Discovery of Exoplanet Orbiting a Solar-type Star
    ESO (European Southern Observatory) · 2019-10-08 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. Royal Swedish Academy of Sciences (Nobel Prize) — Scientific Background on the Nobel Prize in Physics 2019: Physical cosmology and an exoplanet orbiting a solar-type star
    Class for Physics of the Royal Swedish Academy of Sciences · 2019-10-08 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. Université de Genève — Michel Mayor and Didier Queloz, Nobel Prize laureates in Physics 2019
    Université de Genève (UNIGE) · 2019-10-08 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. Royal Swedish Academy of Sciences (Nobel Prize) — The Nobel Prize in Physics 2019: Press release
    The Royal Swedish Academy of Sciences · 2019-10-08 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 10; conferência de trechos automatizada)

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