Astronomia

1998: como supernovas distantes mostraram que a expansão do universo está acelerando

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 1998, duas equipes que trabalhavam de forma independente mediram supernovas do tipo Ia em galáxias distantes e viram que elas eram mais fracas do que o esperado. Como o brilho real dessas explosões é conhecido, isso indicava distâncias maiores que as previstas por uma expansão que desacelera. A conclusão foi que a expansão do universo está acelerando. A descoberta rendeu o Nobel de Física de 2011 a Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess.

Até o fim dos anos 1990, esperava-se que a gravidade da matéria do universo freasse a expansão, mesmo que não a detivesse. Para testar isso, era preciso medir distâncias muito grandes. Supernovas do tipo Ia servem como velas padrão: seu brilho intrínseco é consistente e conhecido, então o brilho aparente revela a distância. Duas equipes, o Supernova Cosmology Project (Perlmutter) e o High-z Supernova Search Team (Schmidt e Riess), observaram essas explosões e encontraram o oposto do esperado: as supernovas distantes estavam mais fracas, logo mais longe, e a expansão havia se acelerado. A NASA estima que a causa, chamada energia escura, responda por cerca de 68% do conteúdo do universo.

Dois grupos, um mesmo resultado

As equipes competiam entre si e chegaram à mesma conclusão por caminhos separados. Schmidt contou que o grupo ficou "um pouco assustado" com o resultado, pois ninguém esperava uma expansão acelerada.

A expectativa antes de 1998

Até o fim dos anos 1990, os astrônomos sabiam que o universo continha matéria suficiente para desacelerar a expansão, embora não para pará-la. A pergunta era quanto a expansão havia freado. As supernovas distantes eram a ferramenta para medir isso, pois sua luz saiu há bilhões de anos e carrega a história da expansão.

Duas equipes, dois artigos

A equipe de Riess, com Schmidt entre os autores, submeteu seu artigo em 15 de maio de 1998, com 16 supernovas distantes e 34 próximas. O Supernova Cosmology Project, de Perlmutter, submeteu o seu em 8 de dezembro de 1998, com 42 supernovas distantes e redshifts entre 0,18 e 0,83. Ambos favoreceram uma constante cosmológica positiva.

O que é a energia escura

Energia escura é o nome dado ao que faz o universo se expandir cada vez mais depressa. A NASA estima que ela componha cerca de 68% do universo, contra 27% de matéria escura e 5% de matéria comum. Não se sabe do que ela é feita, e esse continua sendo um dos grandes problemas abertos da física.

O reconhecimento

Em 2011, o Nobel de Física premiou a descoberta. Metade do prêmio, de 10 milhões de coroas suecas, foi para Saul Perlmutter. A outra metade foi dividida entre Brian Schmidt e Adam Riess. As duas equipes que competiam entre si tinham chegado ao mesmo resultado.

Como sabemos

Descoberta documentada nos artigos originais e confirmada por duas equipes independentes; apenas a natureza da energia escura segue em aberto.

Fontes

  1. arXiv / Astronomical Journal — Observational Evidence from Supernovae for an Accelerating Universe and a Cosmological Constant (Riess et al.)
    consultada em 06/10/2026
  2. arXiv / Astrophysical Journal — Measurements of Omega and Lambda from 42 High-Redshift Supernovae (Perlmutter et al.)
    consultada em 06/10/2026
  3. NASA — Hubble and Dark Energy
    consultada em 06/10/2026
  4. W. M. Keck Observatory — Nobel Prize in Physics awarded for accelerating expansion of the universe
    consultada em 06/10/2026
  5. NASA — What is Dark Energy?
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 3 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +1 imagem(ns)
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Capa trocada na conferência: imagem de abertura ligada ao assunto do título
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos